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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

dAlembert (1717 - 1783)



Sentenças:
- A guerra é a arte de destruir e a política de enganar os homens.

- Mais afortunado é o mendigo são do que o rei doente.

- Nada é mais incontestável do que a existência das nossas sensações.

- As grandes coisas são produzidas pela liberdade de pensar e agir.



Jean Baptiste dAlembert acreditava que nossa razão não deve se separar dos acontecimentos. A ciência e a filosofia devem se ater aos fatos e às conclusões que deles podemos tirar, um argumento que não for deduzido dos eventos a que se relaciona não é um argumento válido.

Pensava ainda que existem dois tipos de conhecimento, os diretos e os reflexos. Os conhecimentos diretos são o resultado imediato das nossas sensações e os conhecimentos reflexos são o resultado do nosso processo de entendimento racional dos conhecimentos diretos. A nossa consciência, ao refletir sobre nossas experiências através de combinações e uniões cria as ideias, que são, portanto resultado direto da razão.

Nosso conhecimento tem origem nas ideias, que por sua vez se originam das sensações e isso é constatado pela nossa experiência de vida. Essas sensações fundamentam também as ciências, que na física chamamos de fenômeno, na geometria extensão, na mecânica ação e a reação. A filosofia deve também seguir os fatos e abandonar de vez as concepções abstratas, se a filosofia não tomar por base os fatos ela se torna uma mera ilusão. Uma filosofia que busca ainda fundamentar um sistema é uma filosofia obsoleta.

A filosofia tem que admirar nos filósofos antigos o mesmo que pode ser admirado nos filósofos modernos. Os filósofos que buscam argumentos em hipóteses metafísicas perdem seu tempo.

Sobre a religião dAlembert é deísta, ou seja, admite a existência de Deus mas nega a prerrogativa de que as igreja O representam. Foi Deus que criou o universo utilizando leis imutáveis e nós poderemos compreender melhor a existência divina utilizando a razão para entender suas leis.

A religião não é o fundamento da moral, pois a moral aparece no mundo quando são criadas as sociedades e não quando são concebidas as religiões. A moral surge quando percebemos que temos deveres com os nossos semelhantes e isso acontece quando passamos a viver em sociedade.

Vivemos em sociedade porque temos a necessidade de nos comunicar, temos a necessidade de demonstrar e difundir nossas ideias e essa necessidade surgiu quando criamos a linguagem. A moral é um resultado da vivência social que foi possibilitada pelo surgimento da linguagem, as religiões surgem depois.

Existem três modos de pensamento: A memória, que é onde guardamos os conhecimentos, a razão que é a reflexão sobre os conhecimentos e a imaginação que trabalha com a imitação e criação desses conhecimentos. A memória fundamenta a história, a razão fundamenta a filosofia e a imaginação é o fundamento da arte.

domingo, 2 de novembro de 2014

A INTUIÇÃO É MAIS FORTE QUE A RAZÃO


Devemos sempre dominar a nossa impressão perante o que é presente e intuitivo. Tal impressão, comparada ao mero pensamento e ao mero conhecimento, é incomparavelmente mais forte; não devido à sua matéria e ao seu conteúdo, amiúde bastante limitados, mas à sua forma, ou seja, à sua clareza e ao seu imediatismo, que penetram na mente e perturbam a sua tranquilidade ou atrapalham os seus propósitos. Pois o que é presente e intuitivo, enquanto facilmente apreensível pelo olhar, faz efeito sempre de um só golpe e com todo o seu vigor.
Ao contrário, pensamentos e razões requerem tempo e tranquilidade para serem meditados parte por parte, logo, não se pode tê-los a todo o momento e integralmente diante de nós. Em virtude disso, deve-se notar que a visão de uma coisa agradável, à qual renunciamos pela ponderação, ainda nos atrai. Do mesmo modo, somos feridos por um juízo cuja inteira incompetência conhecemos; somos irritados por uma ofensa de carácter reconhecidamente desprezível; e, do mesmo modo, dez razões contra a existência de um perigo caem por terra perante a falsa aparência da sua presença real, e assim por diante.
Em tudo se faz valer a irracionalidade originária do nosso ser.

(Arthur Schopenhauer)