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quinta-feira, 9 de abril de 2015

NEGROS



Negros que escravizam
e vendem negros na África
não são meus irmãos.
Negros senhores na América
a serviço do capital
não são meus irmãos.
Negros opressores,
em qualquer parte do mundo,
não são meus irmãos.
Só os negros oprimidos,
escravizados,
em luta por liberdade,
são meus irmãos.
Para estes, tenho um poema
grande como o Nilo.

(Solano Trindade)

PARDOS DO BRASIL


Quando te tocaram pela primeira vez...

...qual foi o seu tom?

Minha avó era africana legítima, foi escrava;era negra sinhá,quer dizer, era negra de dentro, que servia em toda parte para os filhos do senhor. É dai que vêm esses filhos, nem branco nem preto, nem preto e nem branco. Os pais eram os filhos do senhor. Minha avó foi negra sinhá, porque era negra criada dentro de casa e servia os senhores, senhorio. Então é isso, eu venho vindo dessa parte aí.(Ondina)

carlos vogt e Peterfry.Cafundó. A africa no Brasil. São Paulo Companhia das letras.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

OGUM -EQUILÍBRIO (cultura afro)




Ogum é o Orixá guardião do ponto de força que mantêm o equilíbrio entre a Luz e as Trevas, entre o Positivo e o Negativo, a Paz e as Discórdias, por isso é chamado “O Senhor das Demandas” e é conhecido como Orixá da guerra.


"Ogum meu pai, que minhas palavras e pensamentos cheguem a Vós em forma de prece.
Que esta prece corra o mundo e chegue aos necessitados em forma de conforto a suas dores.
Que corra os quatro cantos da terra e chegue aos meus inimigos em forma de brado de advertência, pois sei que sendo seu filho e nada tenho a temer.

Ogum, Padroeiro dos Agricultores, fazei com que minhas ações sejam sempre férteis, como o trigo que cresce e alimenta a humanidade.
Ogum, Senhor das Estradas, fazei de mim um verdadeiro andarilho, que eu seja sempre um fiel caminheiro seguidor de seu exército e que em minhas caminhadas só haja vitórias. Que, mesmo quando aparentemente derrotado, eu seja vitorioso, sendo Vosso filho conheço as batalhas, e sei que ao Seu lado a minha vitória será certa.

Ogum, meu grande pai e protetor, fazei que meu dia de amanhã seja tão bom quanto o de ontem e hoje; que minhas estradas sejam sempre abertas; que eu trabalhe para que em meu jardim só hajam flores; que meus pensamentos sejam sempre bons e aquele que me procurar consiga sempre o remédio para seus males. Senhor dê luz aos meus inimigos, pois me perseguem porque vivem nas trevas. Pai livre-me das pragas, das doenças, da inveja, da mentira e da vaidade, que só me levam a destruição.

Ogum Iê! Sarava Ogum!"

Toda proteção aos meus amigos.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

QUANTO VALE OU E POR QUILO?




O Brasil carrega até hoje  a triste marca de ser o ultimo pais do mundo a abolir a escravidão.


     Quanto vale ou e por quilo? Pergunta comum para quem frequenta o comércio varejista, mas para a nossa reflexão o produto referido aqui  e, a carne humana e negra.

Na produção de Quanto Vale ou e por Quilo, apesar de longa, intercala momentos comuns vivenciados por pretos no passado de escravidão negra no Brasil e momentos do presente, o que da uma certa velocidade e leveza ao filme, principalmente para quem e jovem e não tem paciência para ver filmes de conteúdo histórico e filmagens contínuas.

No período escravista investir na aquisição de negros era um negócio caro, porém muito lucrativo. Por mais de três século o comércio de negros foi a base de sustentação do nosso país, não apenas pelo seu valor como peça, mas pelos serviços que esses realizavam; desde abertura de estradas, a limpeza de dejetos (fezes) dos homens brancos. Possuir muitos negros era um marcador de status social.

E no presente quem são os negros do Brasil? Onde estão e quanto valem para o mercado?

INDÚSTRIA DA SOLIDARIEDADE

Nesse sentido, o filme pega por base moradores de comunidade pobre que desenvolvem suas vidas normalmente, sendo a maioria mestiços, já que o negro brasileiro possui a peculiaridade de ter sofrido  grande miscigenação com outros povos. Envolvidos nesse contexto de moradores de favela, vemos uma rede composta por empresários, políticos e outros representantes das classes sociais mais abastadas, fazendo proveito das misérias e necessidades dos moradores- utilizando-se de Ongs e projetos que seriam de cunho filantrópico para conseguirem verbas do governo, financiamentos, patrocínios de particulares e empresas, mão de obra barata (muitas vezes gratuita) e, é claro, realizar a boa e velha lavagem de dinheiro. Sendo que nesse caso o  retorno desses empreendimentos é quase nulo para a comunidade que realmente precisa desses espaços.

Desejo salientar outro aspecto tomado pelo filme- o negro como algoz do próprio povo. No passado mostra o preto, ou mestiço que chega a ter escravos para si. E aqueles que se associam aos brancos escravistas em troca de dinheiro ou favores, também assumindo papel de algozes- contradizendo a ideia de solidariedade existente entre os negros. No presente há aqueles que realizam o mesmo tipo de associação, mas por meio de milícias e justiceiros, partidos pólicos, e certos "centros comunitários", que de comunitários levam apenas o nome e a ilusão daqueles que por infortúnio os frequentem em meio a tantos jogos de interesses.

Muito bom o filme. Abrangente e polêmico na medida certa.

Como é dito em famoso refrão de musica interpretada por Elza Soares  -  A CARNE MAIS VENDIDA NO MERCADO E A CARNE NEGRA.

 O vídeo algumas vezes demora um pouquinha para carregar (depende da sua internet). depois é só clicar no Play grande no centro da tela. Desculpem, mas foi o único lugar que consegui encontrar, completo e em perfeito estado para compartilhar com vocês. A Matrix não é brincadeira. 

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

MARCAS


















Vô João em meio a sua sabedoria de gente do interior sempre dizia que se via um bom trabalhador pelas canelas finas. Muitas vezes o vi medindo a canela com as próprias mãos e ao final sempre dizia:
 - tá vendo sou um bom trabalhador! 
E houve vezes que inflado de orgulho usava uma tia como exemplo: 
- essa puxou ao pai veja as canelinhas finas. 

Minha tia não gostava muito da comparação. Como mulher gostaria de ser reconhecida por ter pernas grossas e bem torneadas e não canelas finas.  

Sempre me perguntei de onde ele tinha tirado aquela ideia. Faria parte de algum tipo de folclore da região que ele nasceu? Era um costume passado de pai para filho entre o povo da roça...


Pois bem, em meio aos meus estudos sobre o processo da escravidão no Brasil pude constatar que a região de Pernambuco (terra de meu avô), teve uma das maiores concentrações de escravos do país e que um dos critérios usados pelos Senhores (donos das fazendas) para a aquisição de bons escravos "bons trabalhadores" era o fato de terem canelas finas.


Meu querido avô, homem livre do século XXI ainda carregava o estigmas do tempo onde o negro era cativo. Pode parecer bobagem, mas pensem quantas heranças como essa podemos está guardando inconscientemente até o dia de hoje?


(Saudades eternas do Vô João)