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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

FILME-Machuca


A ditadura militar infelizmente está longe de ser um acontecimento exclusivo do Brasil, a partir da década de 60 o populismo e a ditadura militar passam a ser um fenômeno muito presente em toda América latina.

E é isso que nos mostra o filme MACHUCA, situando-se no momento do golpe militar chileno, sofrido pelo presidente socialista Salvador Allende.

Nesse filme fica muito claro o acirramento das lutas de classes.

De um lado ocorriam passeatas organizadas pela esquerda – com intensa participação de trabalhadores e estudantes. Do outro, passeatas contra o presidente eleito, lideradas pela direita nacionalista e anti-comunista.

O filme tem caráter esquerdista e salienta uma falsa moralidade da classe média, porém não trata apenas de assuntos políticos. MACHUCA também nos delicia com um precoce romance entre seus personagens principais.

A grande magia de MACHUCA está em poder enxergar os acontecimentos políticos a partir da ótica de um menino.


Direção: Andrés Wood

Gênero: Drama

Lançamento: 2004

Duração: 120 min


Sinopse:

Machuca é o sobrenome do menino Pedro (Ariel Mateluna), recém chegado a uma escola elitizada. O problema é que Pedro é pobre e vive numa favela de Santiago do Chile, o que lhe traz inúmeros problemas de relacionamento nessa escola particular. A rejeição e as gozações quanto a ele e seus colegas são freqüentes e isso provoca reações diversas que vão desde a indiferença até a agressão.

Nem tudo é, porém, adverso nesse novo mundo ao qual foi introduzido o garoto pobre das favelas chilenas. A entrada nessa escola faz com que ele conheça Gonzalo Infante (Matias Quer), membro de família abastada (abalada por relacionamentos em decomposição), alienado das questões políticas que fazem seu país ferver, mas fundamentalmente uma boa alma.

O encontro dos dois meninos representa muito mais do que simplesmente uma nova amizade que está se consolidando. Trata-se de um retrato do próprio Chile daquela época, cindido entre socialistas e capitalistas que querem fazer com que a nação se renda a seus ideais nem que seja nos brados emanados pelas turbas que fazem constantes marchas e passeatas pelas principais avenidas da capital do país.

Ao se conhecerem, Pedro e Gonzalo passam a perambular por universos que até aquele momento eram desconhecidos para eles. Machuca é levado a casa de seu novo amigo e percebe a comodidade e os prazeres de uma vida burguesa, apesar das restrições que o regime impõe aos membros da elite chilena. Gonzalo, por sua vez, vai com sua bicicleta aos bairros paupérrimos da periferia de Santiago e descobre a esperança ao lado de casas sem água encanada, eletricidade ou rede de esgotos.

Se não bastasse esse choque de realidades, os dois ainda acabam indo às ruas da capital para ajudar a jovem Silvana (Mariana Martelli), que os leva as passeatas políticas para vender bandeirinhas do país ou das facções ali representadas. Esses momentos de suas histórias de vida são essenciais para que todos esses adolescentes se percebam como membros de uma nação e de seus dilemas e que percebam quais são as possibilidades e alternativas que a sociedade lhes reserva.

Para tornar o filme ainda mais interessante surgem as paixões prematuras e toda a candura dos primeiros beijos. Interessante do princípio ao fim, “MACHUCA” é mais um dos grandes filmes latino-americanos que nos ensina a rever princípios, reavaliar a vida, pensar nas origens e analisar com seriedade a história de nossos povos.

Assistam!

O trailer está em espanhol.

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Ditadura Militar no Chile



Passados os conflitos da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), o Chile viveu um período de expressivo desenvolvimento econômico calcado na exportação de minérios e o desenvolvimento do parque industrial. Em meio a esse processo de modernização econômica, diversas empresas estrangeiras aproveitaram do bom momento do país para lucrar com a exploração de suas riquezas. Entre outros interessados, destacamos o papel exercido pelos Estados Unidos no interior da economia daquele país.


Chegada a década de 1960, a vida política do Chile se agitava com a consolidação de partidos políticos que discutiam os projetos que resolveriam as mazelas sociais que atingiam boa parte da população. Em linhas gerais, os movimentos de mudança se dividiam entre aqueles que apoiavam uma revolução aos moldes da experiência cubana e aqueles que defendiam a utilização das vias democrático-partidárias e das reformas políticas como instrumento de transformação.


Nesse mesmo período, o governo de Eduardo Frei chegou à presidência do Chile com um frágil conjunto de reformas que não alcançou os objetivos esperados. Dessa maneira, comunistas e socialistas se mobilizaram em torno da Unidade Popular, partido que acabou elegendo o presidente Salvador Allende. Após décadas de luta e mobilização, os setores de esquerda conseguiram se organizar e eleger uma figura comprometida com as lutas populares da nação.


Entre suas primeiras medidas no poder, Allende preferiu seguir uma política independente em relação aos Estados Unidos e defendeu a nacionalização das empresas norte-americanas que se encontravam no país. Imediatamente, setores políticos conservadores e as próprias autoridades estadunidenses passaram a ver com receio as propostas do novo presidente. Além disso, o governo de Allende teve que enfrentar uma crise do cobre no mercado internacional, que, na época, representava uma boa parcela da economia chilena.


A diminuição dos preços do cobre acarretou em uma elevação no preço dos alimentos mediante a forte dependência da economia chilena em relação a seus recursos minerais. Aproveitando da situação desfavorável, os EUA e os conservadores chilenos instigaram a organização de manifestações contrárias ao governo Salvador Allende.


Em pouco tempo, um grupo de militares golpistas se formou com o objetivo de dar fim ao domínio dos socialistas.


Em setembro de 1973, as Forças Armadas do Chile – com expressivo apoio dos Estados Unidos – organizaram um golpe que pretendiam depor o presidente Salvador Allende. Resistindo até o ultimo momento, o presidente preferiu atentar contra a própria vida quando o grupo de militares promoveu a invasão do Palácio La Moneda. Com a morte do presidente Allende, uma junta militar liderada por Augusto Pinochet estabeleceu uma rígida ditadura militar dentro do Chile.


Seu governo ficou marcado como um dos mais violentos regimes ditatoriais latino-americanos. Dados indicam que cerda de 60 mil pessoas foram mortas ou desapareceram, e 200 mil abandonaram o país durante o período em que Pinochet esteve no poder. Apenas no final da década de 1980, as pressões políticas internacionais e internas passaram a desestabilizar a ditadura chilena. Em 1988, um plebiscito previsto na Constituição negou a renovação do mandato de Pinochet.


No ano seguinte, novas eleições presidenciais colocaram Patrício Aylwin Azocar, da frente política oposicionista, popularmente conhecida como “Concentración”, no poder. A partir de então, o Chile viveu um processo de redemocratização marcado pela denúncia e punição dos militares envolvidos com crimes políticos. Entretanto, Pinochet continuava no poder como chefe do Exército, cargo deixado em 1998 quando o mesmo assumiu o posto de senador vitalício.


Naquele mesmo ano, em uma missão diplomática na Inglaterra, Augusto Pinochet teve sua prisão decretada pelo juiz espanhol Baltasar Garzón. O pedido foi acatado pelas autoridades britânicas, mas, quinze meses depois, a prisão do ex-ditador conseguiu ser burlada com um pedido de licença médica. Voltando ao Chile, um forte movimento se organizou em favor do julgamento dos crimes políticos atribuídos ao antigo representante da ditadura chilena.


No ano de 2002, as autoridades judiciais chilenas decidiram arquivar o processo contra Pinochet, alegando o avançado estado de suas debilidades físicas. Pouco tempo depois, o ex-general de 86 anos de idade renunciou a seu cargo saindo finalmente da vida pública. Em 2004, novas denúncias indicavam a existência de contas secretas multimilionárias onde o ex-ditador acumulava os recursos provenientes das nações que apoiaram o golpe e outras transações ilegais. No final de 2006, Pinochet faleceu sem nunca ser efetivamente condenado pelos crimes que cometeu.



Por Rainer Sousa