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terça-feira, 11 de novembro de 2014

SENHORAS E SENHORES: Beto Guedes

Beto Guedes
De Montes Claros, Minas Gerais, para o Mundo
[1951]

                                Beto Guedes. Aniversário de um ano de vida.



"Quando entrar setembro/ e a boa nova andar nos campos/
quero ver brotar o perdão/ onde a gente plantou/ juntos outra vez.

Já choramos muito/ muitos se perderam no caminho/ a lição/ sabemos de cor/ só nos resta aprender". 

(Beto Guedes e Ronaldo Bastos)


Beto Guedes não nasceu em setembro, nasceu em agosto, exatamente no dia 13, do ano 1951.

Tantas canções, tantos chorões herdados de seu pai, tantos e tantos compositores amigos, letristas, a falar aqui de Ronaldo Bastos e Fernando Brant, primeiro parceiro amigo na composição de Feira Moderna, música classificada para V Festival Internacional da Canção. Não venceu com sua música, mas , ela, a música, venceu os anos por vir, sendo executada até os dias de hoje nas rádios, na voz do próprio Beto Guedes, com o arranjo original e por vários músicos e cantores da atualidade. Sua vida musical, o grupo (posso dizer assim) Som Imaginário, que na verdade, era um grupo de músicos, que encontravam, compunham e tocavam pra valer, tendo também como integrante, o saudoso Zé Rodrigues, o som perfeito de Nivaldo Ornellas, Wagner Tiso, amigos que hoje fazem parte do Grupo de pop rock "Roupa Nova", mais quem ia vindo para se juntar ao Som Imaginário. Eram uma família de idéias e sonhos.

                                           A Página do Relâmpago  Elétrico
                                                             O primeiro LP.



"Abre a folha do livro/ que eu lhe dou para guardar/ e desato o nó dos cinco sentidos/ para se soltar"

Assim começa a letra da faixa 1, do LP "A Página do Relâmpago Elétrico". Título e letra completamente inusitadas para época de 70, em pleno regime militar, apesar de Beto Guedes nunca ter escrito uma música que falasse diretamente ao regime, à ditadura, mas, nas entrelinhas, estava a folha do livro aberta para pessoas, gente, habitantes brasileiros com um pouquinho de inteligência de percepção. Soltar os sentidos nada mais é que, liberte-se primeiro dentro de si, logo em seguida, junto de seus amigos pensantes (Fernando Brant, por exemplo), para depois cantar aos quatro ventos sem que a burrice comandada viesse calar-te.

Filho de pai "Chorão", criado entre as músicas de prazer sem fim, Beto Guedes não quis apenas ficar em sua terra natal. Necessitava de mais, clamava em seu íntimo por mais, sem deixar de lembrar sempre, em toda a sua carreira, o berço responsável para sair e casa e vir para a capital mineira, Belo Horizonte, longe ainda de seus ideais; o eixo Rio / São Paulo, onde tudo acontecia.



Porém, fez morada em Belo Horizonte, nos apartamentos do Edifício Maleta, conjunto habitacional no centro da capital mineira, que, por sorte de muitos viajantes do tempo, havia ali, na época, e, ainda há, a famosa "Cantina do Lucas", no térreo do famoso edifício, onde, intelectuais, poetas, sociólogos, músicos, compositores, escritores, elite, instrumentistas, malucos beleza de todos os cantos, se encontravam para descobrir o novo e fazer do novo, uma atitude, um projeto-sonho, verdadeiro de vida para cada um, sem exceções. Ninguém estava ali , como também o crunner Milton Nascimento, Nivaklo Ornelas, Lô Borges, Noveli, Ronaldo Bastos, Toninho Horta, Zé Rodriguez, Fernando Brant, Márcio Borges, Vermelho, Flávio,  toda uma turma de malucos do bem, somente pelo fato de encontrar alguém, e , sim, encontrar o caminho, a poesia, a música de acordes mirabolantes com sentido melódico perfeito, que acabaria virando o famoso Clube da Esquina, de todos, porém, não na cantina do amável Lucas, mas nas esquinas de tantas ruas de Belo Horizonte, Montes Claros meu segredo, Minas Gerais, meu Amor de Índio.


                                  Diante das câmeras. Minas, Rio de Janeiro e São Paulo.
                                                             A consagração


Há canções e há momentos. Beto Guedes soma os, e, as em um nota só para o mundo das canções de amor, das canções de repensar, das canções de outrora, numa casinha de palha, naquela feira moderna, nos contos da lua vaga e porque não no Sal da Terra.

O LP - Beto Guedes - Sol de Primavera, fez de Beto Guedes e de todos que ouviram todas as suas canções até então, uma coisa só: Eis aí, eis aqui, Beto Guedes, admirado, respeitado, criticado pela sua voz única (faço saber que ele canta o que ele compõe) de bebé chorão, como chegou a declarar uma revista de grande circulação no país, a Veja: "O Bebé chorão que deu certo" , já falando deste LP, o Sol de Primavera.

Poucos (na revista veja, por exemplo) esquecem quando o cantor e compositor, coloca em sua música, verdades em forma de belas melodias, como a Canção do Novo Mundo que diz, para o mundo ouvir, como pode um simples canalha mata o rei em menos de um segundo.  Outra faceta nas canções de Beto Guedes, posso citar sua tristeza de saber, de ver, que em "agora eu sou uma estrela", na voz de Elis Regina, partir tão cedo, escrevendo em sua canção No Céu com Diamantes a frase dedicada dói, de tanto medir a distância, saber que não vou te tocar, além da lembrança...Te conhecer, foi saber o melhor...virou a nossa estrela no céu...voz de tal firmamento.

                                                        Beto Guedes hoje.


O menino de Montes Claros, filho de Godofredo Guedes, músico e compositor "chorão e seresteiro", veio para ganhar o mundo. Gravou com Zizi Posse, Milton Nascimento, Boca Livre, 14 Bis, MPB4, Paula Toller, Kid Abelha, Zé Renato, Tavinho Moura, Roupa Nova, isso, para citar alguns, da mesma maneira que os mesmos citados, gravaram Beto Guedes.

Todos fizeram de Beto Guedes, um amor de índio, onde tudo que move é sagrado e remove as montanhas com todo cuidado, meu amor. A "massa" que faz o pão, faz a luz do teu suor. E todos soaram as canções de Beto Guedes.

FONTE:  http://consultoriadorock.com/
*Fotos: Google.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ENCONTRO




Sai de si
Vem curar teu mal
Te transbordo em som
Poe juizo em mim
Teu olhar me tirou daqui
Ampliou meu ser
Quero um pouco mais
Não tudo
Pra gente não perder a graça no escuro
No fundo
Pode ser até pouquinho
Sendo só pra mim sim

Olhe só
Como a noite cresce em glória
E a distância traz
Nosso amanhecer
Deixa estar que o que for pra ser vigora
Eu sou tão feliz
Vamos dividir

Os sonhos
Que podem transformar o rumo da história
Vem logo
Que o tempo voa como eu
Quando penso em você

Olhe só
Como a noite cresce em glória
E a distância traz
Nosso amanhecer
Deixa estar que o que for pra ser vigora
Eu sou tão feliz
Vamos dividir

Os sonhos
Que podem transformar o rumo da história
Vem logo
Que o tempo voa como eu
Quando penso em você

(Maria Gadu)

CLUBE DA ESQUINA 2 - Flávio Venturini



 Porque se chamava moço
 Também se chamava estrada
 Viagem de ventania
 Nem lembra se olhou pra trás
 Ao primeiro passo, aço, aço....

Porque se chamava homem
 Também se chamavam sonhos
 E sonhos não envelhecem
 Em meio a tantos gases
 lacrimogênios
 Ficam calmos, calmos, calmos

E lá se vai mais um dia

E basta contar compasso
 e basta contar consigo
 Que a chama não tem pavio
 De tudo se faz canção
 E o coração
 Na curva de um rio, rio...

E lá se vai mais um dia

E o Rio de asfalto e gente
 Entorna pelas ladeiras
 Entope o meio fio
 Esquina mais de um milhão
 Quero ver então a gente,
 gente, gente...

(Flávio Venturini)


sábado, 8 de novembro de 2014

CANTEIROS



Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade

Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
 Já me dá contentamento

Pode ser até manhã
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria

(Refrão 2X)
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois se não chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.