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sábado, 4 de abril de 2015

QUEM AMA O FEIO, BONITO LHE PARECE



Se você é jovem, um desses que ainda frequenta escola ou faculdade, deixo por conselho que namore os feios, pois o bonitinho de hoje pode ser o feio de amanhã, daí já imaginou a sua decepção? Mais o contrário também pode acontecer, do feio se transformar em príncipe, nesse caso namorar o feio pode ser um investimento para o futuro.

Por esses dias estava num desses poucos momentos em que assisto TV e es que no comercial tive uma aparição: era um ex namoradinho passando no comercial. Pelo o amor de Jimi Hendrix, a surpresa não foi por ele está na TV, mas em razão da sua aparência. Quando namorávamos ele era alto, elegante. As moças curvavam o pescoço para vê-lo passar, as amigas me invejavam por estar com ele, mas agora o carinha é a visão do Jason, sabe aquele dos filmes de terror com uma máscara de hóquei? E o pior: é um Jason obeso. 

É idiota e maldoso, mas pensei: será que os buracos na cara do meu ex são marcas de inúmeras espinhas ou ele teve uma catapora violenta? Não sei.  

Rubens Alves no documentário professor de espantos diz que quando gostamos muito de um lugar, passado muitos anos, melhor não visita-lo, pois dificilmente ele será agradável como você se recorda.

Talvez isso valha  para pessoas também.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

GUERREAR É PRECISO?



A TV mostra quarteirões transformados em ruínas por bombas e foguetes. 
Que sentido tem isso?

Diante das guerras que se travam hoje no mundo, sou obrigado a me perguntar por que, depois de séculos de massacres, o homem continua, como nos primórdios da civilização, a se armar e guerrear. Aliás, não apenas continua, torna-se mais capaz de matar, valendo-se de armas cada vez mais sofisticadas.

Logo me vem à mente a bomba atômica, que só não foi usada na escala que os belicistas pretendiam, porque, neste caso, quase ninguém sobreviveria. E os estadistas querem a guerra desde que ela não os atinja pessoalmente. Eles decidem por fazê-la, mas quem morre são os soldados e o povo em geral. Os chefões, quase nunca.

Costumo dizer que frequentemente me surpreendo com o óbvio, e isso acontece agora, quando a televisão me bombardeia diariamente com o número de mortos pelas bombas e foguetes na faixa de Gaza, na Síria, na Líbia, no Iraque, na Ucrânia.

Surpreendo-me com a quantidade de dinheiro que os países gastam com armamentos. E não só com armamentos, mas também com as forças armadas. Todos os países têm permanentemente centenas de milhares de soldados que constituem os efetivos militares. Eles fazem parte do Estado, como elemento fundamental dele, e constituem carreiras a que milhares e milhares de pessoas dedicam suas vidas.

Com isso, gastam-se fortunas, com a finalidade de fazer guerra. Claro, se for preciso. Mas a verdade é que essas forças são formadas e mantidas com essa finalidade: a defesa da pátria pelas armas, se for o caso. E por que isso? Porque a guerra é uma possibilidade permanente para os Estados, todos, sem exceção.

Mas por quê? Que os povos selvagens vivessem se matando, dá para entender. Por exemplo, os índios do Brasil neolítico, que eram nômades, viviam do que colhiam na natureza, eram obrigados a se deslocar para outras regiões em busca de alimentos. Se houvesse outra tribo ali, a guerra entre as duas era inevitável. Mas e hoje, por que a guerra?

As razões são as mais diversas. Ou é um louco como Hitler, que sonhava dominar o mundo, ou é concepção religiosa que leva líderes a atacar seus vizinhos, ou disputa de mercado. Mas, depois de tanta guerra que já houve, por essas e outras razões, resultando na morte de milhões de pessoas, parece que muito pouco o homem aprendeu com isso.

É certo que uma boa parte dos países --particularmente aqueles que sofreram na carne as consequências das últimas guerras-- evita lançar mãos das armas para impor seus interesses, mas mesmo estes continuam a produzir armamentos, cada vez mais sofisticados e mais mortais. A cada dia surgem notícias de aviões de guerra invisíveis aos radares, foguetes com velocidade e alcance inimagináveis, armas essas que anulam qualquer possibilidade de defesa.

Que significa isso, senão que a guerra é possível a qualquer momento, embora não se saiba entre que países e por que razão? Para que aquelas armas sejam concebidas e produzidas, os governos investem em pesquisa tecnológica e na formação de cientistas que dedicarão sua inteligência, seus conhecimentos e sua vida a produzir instrumentos de destruição. Mas não só os governos, há também empresas privadas que investem em armamentos, que vendem para diferentes países e com isso ganham fortunas. Muitos desses países mal têm recursos para atender as necessidades básicas de seu povo mas, ainda assim, compram armas e mantêm exércitos prontos para a guerra.

Desse modo, a guerra, quer ocorra ou não, é fator importante da economia mundial. Mesmo o Brasil, que não se caracteriza como um país belicoso, produz e vende armas para outros países. Deve-se concluir, portanto que a hipotética eliminação da guerra, por tornar a produção de armas desnecessária, não conviria a esses países, mesmo porque conduziria a uma grave crise na economia em escala planetária.

Isso, portanto, está fora de cogitação. E a televisão, a cada momento, dia após dia, nos mostra populações em pânico, mulheres desesperadas tentando escapar com seus filhos, das bombas que explodem à sua volta. E mostra também quarteirões inteiros de cidades transformados em amontoados de ruínas por bombas e foguetes. Que sentido tem isso?

FERREIRA GULLAR 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Homero Silva - Biografia

(Apresentador, locutor)


30 de janeiro de1918 - 19 de setembo de 1981

A vida de um rapaz de origem humilde, pai falecido, cuja mãe fabricava sabão caseiro para que ele vendesse de porta em porta. Dessa forma garantindo o sustento da família.
Se formou em direito por uma das pricipais universidades do país e tornou-se o primeiro apresentador de TV do país e América Latina.




Homero Silva nasceu em São Paulo, capital, mais propriamente no bairro do Cambuci, no dia 30 de janeiro de 1918. Descendente de italianos, seu pai era Eloi Domingues da Silva e a mãe dona Candida. Aos 18 anos Homero Silva perdeu o pai, e ele e mais um irmão menor, ficaram aos cuidados de Candida. O pai, fotógrafo, era pobre.

E assim, Homero e o irmão Gilberto, acostumaram-se a dividir tudo, até um par de sapatos, pois a mãe comprava um número intermediário, que pudesse servir aos dois, na hora de irem à escola. E eles iam em turnos diferentes. Assim mesmo ambos conseguiram entrar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, respectivamente em primeiro e segundo lugares. E isso aconteceu durante o curso todo. Ora um era o primeiro, ora outro.

Rapazes sérios, religiosos, extremamente inteligentes, eram admirados por todos. Gilberto, o mais novo, prosseguiu a carreira jurídica, mas Homero fez um concurso de locutor na Rádio Tupi de São Paulo, e passou, pois era dono de uma voz bonita e marcante. E aí começou a carreira que, se não única, foi a mais importante de sua vida. Logo chegou a diretor da emissora. É preciso lembrar que seu grande sucesso deu-se à apresentação do programa infantil "Clube do Papai Noel", onde ele era tão querido que as crianças o chamavam de "Papai Noel".

Nesse programa iniciaram a carreira artística: Hebe Camargo, Erlon Chaves, Wilma Bentivegna, Wanderley Cardoso, Vida Alves, e muitos outros. Foi um acontecimento esse programa que começou na rádio e, mais tarde, transferiu-se para a televisão.

Homero Silva, aliás, foi escolhido para ser o primeiro locutor, aquele que apresentou a PRF3-TV Tupi, aos telespectadores, no lançamento da primeira emissora de televisão da América Latina.

Homero Silva, alguns anos antes havia se casado com Yolanda, Filha de Maria, e ele era Congregado Mariano. Desse casamento nasceram dois filhos: Célia e Homerinho (Homero Silva Filho). Na televisão Homero era super admirado pela perfeição de suas apresentações, por sua cultura, por sua verve. Apresentava também outros programas: "Ponta de Lança", "Boa Noite Amigos", e o famoso "Clube dos Artistas", que foi uma criação de Airton Rodrigues, mas teve Homero Silva como apresentador por muitos anos. Homero Silva, porém, não se satisfez somente com a vida artística, embora tivesse total sucesso. Foi para a política. Foi vereador da cidade de São Paulo, por duas vezes. Foi deputado, também por dois mandatos. E foi candidato à Prefeito, perdendo apenas por 50 votos, o que até suscitou muita polêmica, mas Homero, homem sério, quis deixar de lado e prosseguiu sua vida.

Quando deixou a TV Tupi, Homero Silva foi ser Presidente da Fundação Padre Anchieta e, posteriormente, diretor artístico da Rádio Cultura. Homero Silva, ainda desejoso de eternamente lutar, entrou para as lides universitárias e foi professor de Direito Constitucional na F.M.U. e nas Faculdades de Bragança Paulista. Isso o fez rejuvenescer, pois adorava estar com os jovens, assim como tinha adorado trabalhar com crianças. Uma das coisas que criou, com muito êxito foi a "Campanha do Natal da Criança Pobre", que aconteceu por vários anos consecutivos e que revolucionou todo o bairro do Sumaré, que era chamado de "A cidade do rádio", pois era a sede das Rádios Tupi Difusora e da Televisão Tupi. Assim foi Homero Silva, que faleceu em 19 de setembro de 1981.

Ele havia se casado pela segunda vez com Mariinha, e com ela teve a filha Silvana, que é médica. E ele estava com Mariinha quando faleceu. Ao seu enterro compareceram centenas de amigos, entre artistas, advogados, professores, políticos e fãs. Sempre admirado, sempre querido. "Perda muito sentida", disseram todos. Perda, não só de um luminar do rádio e da televisão, mas de um homem sério, respeitado, honesto e que sempre soube ajudar seus colegas. "Meu verdadeiro guru", diz Vida Alves, que sempre o considerou um grande amigo.



domingo, 19 de outubro de 2014

TV Tupi - Uma Linda História de Amor - Col. Aplauso




Por: Jaqueline Ramiro


Foi para mim  grande prazer ler esse livro e ter a oportunidade de viajar de forma agradável por um tempo que não vivi. Através de "TV Tupi - Uma História de Amor"; Vida Alves idealizadora do Museu da Televisão Brasileira e uma das atrizes pioneiras do que veio a ser a primeira rede de TV não só do Brasil, mas da América Latina, nos passa uma narrativa emotiva e saudosista da história da TV Tupi. Já nos primeiros trechos o leitor é presenteado com depoimentos de renomados profissionais que contribuíram com esse momento histórico. A exemplo na página 48 há uma extrovertida declaração do ator Lima Duarte sobre a primeira apresentação de TV. 

Ao longo da leitura segue-se diversas curiosidades, muitas delas engraçadas. O escândalo provocado pela primeira cena de beijo, o primeiro beijo homossexual  na TV que foi dado por Vida Alves e ,a superação de dificuldades técnicas, listagens de programas e seriados que foram ao ar nos primeiros anos. O livro conta também com pequenas biografias dos profissionais da emissora e fotografias que ilustram caprichosamente a edição.  

Excelente leitura. Eu recomendo


TV Tupi, uma Linda História de Amor, de Vida Alves, sugere à primeira vista uma história pessoal, uma visão da autora. Entrando-se no conteúdo, a consistência e o volume da pesquisa indicam que se trata de uma obra lógica. Mas, ao percorrer o texto, revela-se, em toda a sua extensão, uma narrativa acentuadamente emocional. É o pathos – a empatia que aflora da aventura, do sonho e da conquista, transformando-os em paixão. É com esses ingredientes que foi moldada a história da emissora de televisão pioneira da América Latina. Se a aventura de Assis Chateaubriand permitiu que se antecipasse a criação da televisão no Brasil foi, certamente, o sonho dos diretores, artistas e técnicos que viabilizou a conquista realizada com muita paixão. Paixão que transpirava na doce e redonda figura de Dermival Costa Lima, que explodia na inteligência e energia do Cassiano Gabus Mendes e que contagiava a todos através da sensibilidade dos pioneiros, dos quais Vida Alves é, legitimamente, a grande representante. O que, senão a paixão, move uma mulher como Vida a manter com tanto sacrifício e carregar no colo, como mãe, a nossa Pró-TV – a associação dos pioneiros, profissionais e incentivadores da televisão brasileira. Se não fosse a Vida Alves nada da nossa memória existiria. Sem os depoimentos que ela colheu e arquivou, a epopéia da implantação da televi são brasileira seria apenas uma vaga lembrança. Admiro a persistência de Vida Alves, e tornar este livro realidade explica como e por que ela é capaz de fazer o que faz. O carinho com que Vida Alves se refere a todos os seus companheiros revela claramente sua grande capacidade de amar. Sua missão tem sido impulsionada por esse amor, o que torna muito mais importante, o que Vida Alves está fazendo atualmente pela televisão do que qualquer coisa que ela tenha feito, no passado. E olha que foi muita – como autora, atriz, apresentadora e diretora.

Dessa forma, TV Tupi, uma Linda História de Amor não é apenas um documento para aqueles que, como eu, tiveram o privilégio de trabalhar na Tupi. É leitura obrigatória para todos os profissionais de televisão, para todos os estudantes de comunicação e um fascinante relato que interessa a cada um que, pelo menos um dia, tenha dado uma espiada na telinha, ou seja, todo o universo que gravita em torno da televisão. Obrigado, Vida Alves, por manter viva a emoção que é a matéria-prima da nossa trajetória. Viva a Vida...Alves.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni)
                   Vida Alves


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