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sábado, 8 de novembro de 2014

A IDIOTICE É VITAL PARA A FELICIDADE



Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, pq fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em vc. Ignore o que o boçal do seu chefe disse.

Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente é ele, pobre dele! Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e ponto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselhos para tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?

Hahahaha. Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor ideia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Qto tempo faz que vc não vai ao cinema? É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E dai, o que elas farão se já não têm pq se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? espero que não. Tudo o que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura, piora se for densa. Dura, densa e bem ruim.

Brincar é legal. Entendeu? esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteiras, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.

Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração! Alias, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora? "a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios" "por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche".

Arnaldo Jabur


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

FILME-Toda Nudez Será Castigada


Filme de roteiro adaptado por Arnaldo Jabor, da peça de teatro de nome homônimo de Nelson Rodrigues. Escrita em 1965 apenas 1 ano após ter se instalado no Brasil a ditadura militar.
É uma critica a moral da família de classe média no Brasil. Misturando drama e humor no peculiar estilo Nelson Rodrigues. O personagem principal Herculano, fica entre dilema da castidade absoluta e a devassidão sexual.
Uma das cenas mais comentadas é a dita “cena da prisão”.
Atenção especial para a trilha sonora. A musica de Astor Piazolla dá um tom de tango portenho a esse drama brasileiro.

Duração: 102 min.
Faixa etária: 18 anos
Gênero: Drama
Lançamento: 1973
Diretor/roteiro: Arnaldo Jabor
Elenco: Paulo Porto, Darlene Glória, Paulo Sacks, Paulo Cesar Pereio
Sinopse:


Em uma família tradicional Herculano (Paulo Porto), um homem puritano que só tinha tido uma mulher na vida, prometeu para Serginho (Paulo Sacks), seu filho, enquanto a esposa agonizava, que jamais teria outra mulher. Já o irmão de Herculano, Patrício (Paulo César Pereio), vive às custas do irmão e faz de tudo para que Herculano dependa cada vez mais dele e assim possa explorá-lo cada vez mais. Aproveitando uma crise de desespero do irmão, Patrício coloca junto à mesa de Herculano uma fotografia de Geni (Darlene Glória), uma cantora de inferninho e meretriz. Após se embebedar Herculano vai ao bordel, onde encontra Geni e passa a noite com ela. Porém, depois renega a ligação, mas ele e Geni já estão apaixonados. Herculano promete se casar com ela, mas para isto precisa fazer Serginho viajar. Porém, sentindo o que está acontecendo, Serginho se recusa a partir, mas algo ainda muito maior vai torturar Herculano.

Curiosidades:
Toda Nudez Será Castigada gerou uma situação insólita na época de seu lançamento. Tendo sido um grande sucesso na época e representante oficial do Brasil no Festival de Berlim, neste meio tempo (no auge da ditadura) o general Antônio Bandeira, chefe do serviço de censura, viu o filme no cinema e o achou imoral, ordenando sua proibição. Assim o Brasil era representado por um filme que era proibido no país e, possivelmente, só foi novamente liberado (com cortes) em virtude de ter sido premiado no exterior.



Prêmios:
·
FESTIVAL DE BERLIM (1973)
Ganhou Urso de Prata - Arnaldo Jabor
FESTIVAL DE GRAMADO (1973)
Ganhou Melhor Filme
Melhor Atriz - Darlene Glória
Menção Especial - Trilha Sonora
TROFÉU APCA (1974)
Melhor cenografia


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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Por que não há do Dia Internacional do Homem?



Dia 08 de março é o Dia Internacional da Mulher. E várias amigas me pediram: “Escreve, escreve sobre nós!...” E muitas me deram pistas , dicas do que dizer. Uma delas se disse “perua inteligente” e me escreveu: “Antes, as mulheres eram escravas passivas, hoje somos ativas, mas continuamos escravas. Mesmo sendo frígidas, temos de insinuar grandes desempenho sexuais. Temos de prometer “funcionamento”. Não é por acaso que eles nos chamam de “aviões. É só olhar as revistas masculinas. O que está acontecendo no Brasil é a libertação da “mulher-objeto”. A publicidade é toda em cima de sexo.”
É verdade, penso eu: a bunda é a esperança de milhões de cinderelas. O corpo tem de dar lucro.
As mulheres querem ser disputadas, consumidas, como um bom eletrodoméstico. Ficam em acrobáticas posições ginecológicas para raspar os pêlos pubianos nos salões de beleza e, depois, saem felizes com apenas um canteirinho de cabelos, uns bigodinhos verticais que lembram o Hitler ou bigodinhos nordestinos. A liberdade de mercado produziu o mercado da “liberdade”.
Sempre me espanto com o “Dia da Mulher". O psicanalista Lacan disse que “A Mulher” não


existe, pois não há alguma coisa que as unifique. Eu nunca conheci A Mulher. Eu já amei e odiei “mulheres”. Então, por que esse título genérico? Existe a mulher de burca, a stripteaser, existe a freira, a bondosa, a malvada, existem Eva e Virgem Maria, existe histérica, a obsessiva. “A Mulher” é invenção dos machos.
Sempre que chega esse Dia Internacional, nós, machistas, elogiamos o lado “abstrato” das fêmeas, sua delicadeza, sua capacidade de perdão(sic), sua coragem, em textos de hipocrisia paternalista, como se falássemos de pobres, de crianças ou de vítimas. Claro que na História as mulheres foram e são oprimidas, estupradas na alma e no corpo.

Mas, não é como vítimas que devemos lamentá-las ou louvá-las. Sua importância é afirmativa, pois elas estão muito mais próximas que nós da realidade deste mundo aberto, sem futuro ou significado. Elas não caminham em busca de um “sentido” único, de um poder brutal. Não é que sejam “incompreensíveis”elas são mais complexas, imprevisíveis como a natureza. O homem se crê acima do mistério, mas as mulheres estão dentro. São impalpáveis como a realidade que o homem 'pensa' que controla. A mulher pensa por metáforas. O homem por metonímias. Entenderam? Claro que não. Digo melhor, a mulher compõe quadros mentais que se montam em um conjunto simbólico, como a arte. O homem que princípio, meio e fim.
A mulher não é um enigma. Nós é que somos, disfarçados de sólidos. Os homens são os óbvios, fálicos. A mulher não acredita em nosso amor. Quando tem certeza dele, para de nos amar. O homem só vira homem quando é corneado. A mulher não vira nada nunca. Nem nunca é corneada, pois está sempre se sentindo assim. Como no homossexualismo a lésbica não é veado.

A mulher precisa do homem impalpável. As mulheres têm uma queda pelo canalha (cartas indignadas para a redação). O canalha é mais amado que o bonzinho. Ela sofre com o canalha, mas isso a legitima, pois ela quer que o homem a entenda, e o canalha lhe dá um sentido claro com sua viril antipatia. As mulheres não sabem o que querem; o homem acha que sabe. A mulher é metafísica, o homem, é engenharia. A mulher deseja o impossível; desejar o impossível é sua grande beleza.
Elas ventam, chovem, sangram, elas têm inverno, verão, TPMs, raiam com a luz da manhã ou brilham à noite, elas derrubam homem com terremotos, elas nos fazem apaixonados porque nelas também buscamos um sentido que não chega jamais. Elas querem ser decifradas por nós, mas nunca acertamos no alvo, pois não há alvo, nem mosca.

Daí o Pânico que sentimos diante dessas forças da natureza, com nossas gravatas da cultura, daí o ódio que os primitivos cultivam contra elas, daí os boçais assassinos do Islã apedrejando-as até a morte. As mulheres são sempre várias. Isso não as faz traidoras; nós é que nos achamos “unos”. Só os autoconfiantes são traídos. Esta é uma das razões do sucesso das putas. O que buscamos nelas? Os homens pagam para que elas não existam, para que sejam úteis, sem vida interior. Pagamos a prostituta para que nos dê uma trégua, para que não nos confunda, não nos traia. Nós nos deixamos enganar, e ela finge que não nos engana. Ela nos despreza, claro, mas muitos preferem essa humilhação consentida em vez de um amor puro e perigoso. A prostituta só ama o cafetão porque ele a esbofeteia e lhe dá o alívio de se sentir injustiçada.

O único grande mistério talvez seja a divisão entre sexos. Por mais que queiramos, nunca chegaremos lá. Lá, onde? Lá na diferença radical onde mora o “o outro”. Há alguns exploradores: os veados, sapatões, travestis que mergulham nesse mar e voltam de mãos vazias, pois nunca saberemos que é aquele ser com útero, seios, vagina, aquele amor maternal, bom, terrível quando contrariado no ponto G da alma. Por outro lado, elas nunca saberão o que é um pênis pendurado, um bigodão, a porrada num jogo do Flamengo, um puteiro visitado de porre, nunca saberão do desamparo do macho em sua frágil grossura. Elas jamais saberão como somos. O amor é a tentativa de pular esse abismo. Eu sou hoje o que as mulheres fizeram comigo ou o que eu aprendi com elas, no amor ou no sofrimento. Eu descobri defeitos e qualidades que me formaram, como acidentes que me foram desfigurando. O que aprendi com elas? Não tenho ideia, mas sei que me mudaram. Eram como quebra-cabeças: ao tentar armá-los, eu achava que sabia tudo, mas entrava em novos labirintos. Com ela, loucas, sóbrias, boas, más, descobri que não tenho forma nem lógica e que sempre me faltará uma peça na charada.

(ARNALDO JABOR)